domingo, 6 de janeiro de 2013
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Saiba que todas as
coisas são assim:
Uma miragem, um castelo
de nuvens,
Um sonho, uma aparição,
Sem essência mas com
qualidades que podem ser vistas.
Saiba que todas as
coisas são assim:
Como a lua num céu
brilhante
Em algum claro lago
refletida,
Ainda que para aquele
lago a lua jamais se moveu.
Saiba que todas as
coisas são assim:
Como um eco que provém
Da música, sons, e
lamentos,
Embora nesse eco não
haja melodia.
Saiba que todas as
coisas são assim:
Como um mágico que
fabrica ilusões
De cavalos, bois,
carroças e outras coisas,
sexta-feira, 13 de abril de 2012
AQUARELA
Em 1987 fui fazer um curso no MAC Ibirapuera que tinha o título "O Fazer Artístico". O curso foi ministrado por John Swift, diretor da Universidade de Cambridge e a técnica utilizada foi a aquarela. O curso durou 5 dias e a cada dia era trabalhado um tema a respeito do Valor da Imitação. Tudo foi inovador. A minha geração passou por uma mudança brusca onde as aulas de arte deixaram de valorizar a cópia, os desenhos "mimeografados" e passarm a ser aulas livres.
Toda mudança radical necessita de um tempo para ser assimilada e encontrar um equilíbrio. Como podemos ser livres para criar sem noção do que e de como fazer? Não podíamos usar borracha mas também não sabíamos olhar... a base do desenho é a investigação sensorial, visual, tátil. Para algumas pessoas é angustiante demais o fato de ouvir ao comando "faça um trabalho livre". Não há nada mais intimidador, paralizador do que isso. Bem, o fato é que John Swift ao falar a respeito do valor da imitação abriu um portal enorme de possibilidades e valoriação para a criatividade.
Hoje falar a respeito de citação, referência a um artista, releitura é comum; mas não ´década de 70, 80 isso não era possível. Em 1987 eu já estava formada em artes plásticas e fazia pós graduação em História da Arte, no mesmo ano fiz curso com Nuno Ramos e Paulo Monteiro também no MAC. Eu adorava experimentar materiais, criar, não me prendia a conceitos externos quando produzia um trabalho expressivo; eu gostava mesmo era da liberdade de me expressar de acordo com a minha necessidade interior (e ainda gosto).
Por isso, ao ouvir falar sobre imitação consciente e inconsciente, sobre memórias inconscientes que se revelavam em uma pintura fiquei encantada.
Uma das atividades foi buscar na memória a nossa própria imagem e registrá-la em aquarela. O resultado foi esse abaixo:
Para minha surpresa o professor perguntou-me se eu era aquarelista! Não, eu nunca havia pintado uma aquarela até aquele dia porém, aquele comentário me insentivou a ponto de me fazer nunca mais parar de aquarelar qualquer pedacinho de papel que encontro. Obrigada John Swift.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
ENSAIO SOBRE SAPATO
Gosto de andar pelas ruas e fotografar ou pegar sapatos encontrados; geralmente um pé só, sem dono, sem o pe´. Por onde anda o pé deste sapato? Há 10 anos me ocupo disso...
Tudo começou numa madrugada no Bexiga, madrugada paulistana, garoa e alguns amigos já meio embreagados, a risada rolava solta. Como eu não bebo me divirto com as histórias. Então a essa altura, umas 2h da madrugada, olhei para o chão e havia uma cena mágica: um sapato abandonado com a sola aberta, a garoa caindo e a luz do poste refletindo sobre ele. Olhei aquela imagem e disse "olha que maravilha! Que poético!". Sem hesitar peguei aquele sapato abandonado pensando em fazer uma instalação com ele. Todos pararam, começaram a rir e comentar "ainda bem que ela não bebe, rsssss". Tudo bem, eu continuo até hoje encantada com cada sapato que encontro abandonado na rua- e são vários...
Essa foto é uma experiência desta pesquisa e, por coincidência, também encontrado numa madrugada no Bexiga agora recentemente.
...
Olha o sapato no chão
onde andará esse pé...
no céu o brilho da noite
a rua cheia de bar
o pé, o chão.
o sapato na rua,
o olho na lua.
onde andará esse pé...
no céu o brilho da noite
a rua cheia de bar
o pé, o chão.
o sapato na rua,
o olho na lua.
Claudia Colagrande
domingo, 1 de abril de 2012
DESDOENDO
Uma amiga do FB publicou uma palavra muito interessante "desdoendo"! Ana Cristina Martins me inspirou tanto com esta palavra que há 3 dias me pus a pensar nos "des" da vida; e são muitos, e tantos como : descolagem, despertar, despontar, despejar, desapego, deslocado, desencorajar, destoar, desbotar, desavesso, enfim poderia passar horas aqui buscando palavras desafiando o desejo de encontra-las. Mas desdoendo... essa eu nunca havia ouvido, lido nem pensado. E foi por isso que fiquei instigada a escrever algo que desconstruisse o pensamento mecânico de repetir palavras já prontas, tentando brincar com as palavras usando-as de forma criativa. O que surgiu deste ensaio reflexivo foi o seguinte:
Procuro desfalar e desver
Despercorrendo o descaminho
Iniciando o despercurso
Lentamente desdoendo...
Despercorrendo o descaminho
Iniciando o despercurso
Lentamente desdoendo...
Claudia Colagrande, outono 2012
O que foi arrebatador foi a motivação que me levou a encontrar palavras que pudessem fazer sentido onde não há. Como o caminho que nunca foi percorrido, o sonho que nunca foi sonhado, a emoção que ainda não foi descoberta. Assim vou tecendo a vida buscando dar um dessentido a ela já que muitas vezes parece não haver nenhum. Desdoendo é muito bom! Ainda não é sem dor mas o desejo do por vir.
E vou desdomingando com a foto da Nina que clicou a pomba desvoando, boa noite!
segunda-feira, 12 de março de 2012
Pinacoteca do Estado de São Paulo
Pinacoteca do Estado de São Paulo, na Estação da Luz é um referência da arquitetura dessa cidade. Em 1984 entrei na Faculdade de Belas Artes de São Paulo pois meu sonho era estudar neste lugar pois a Belas Artes tinha como cede esse prédio. Só prestei vestibular na Belas Artes. Por ironia do destino, ao passar no vestibular, soube que a minha turma seria a primeira a iniciar o curso no novo prédio, na Vila Mariana onde situa-se a Belas Artes até hoje. Fiquei muito triste porém, o curso de arquitetura continuou na Pinacoteca até 1989 e então eu fiz o curso de Artes Plásticas como aluna regular (na Vila Mariana) e Arquitetura como aluna ouvinte no prédio da Pinacoteca...
Ontem passamos o dia andando por São Paulo e fotografando a cidade... a Pinacoteca continua causando o mesmo impacto em meu ser embora hoje esteja muito mais bem cuidada!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Caderno de Artista
O Caderno de Artista é um veiculo de reflexão que o artista utiliza para utilização de seu processo criativo, critico. Esse meio ajuda a organizar as idéias, fazer estudos de imagens, desconstrui-las se necessário e perceber o amadurecimento da linguagem. Considerando que essas experiências para cada um se da de maneira única, a elaboração desse processo torna-se uma referência para o próprio artista. A observação dessa prática revela uma história imagética. Sempre gostei de escrever, pintar e desenhar e os cadernos sempre fizeram parte de minha vida. Quando percebi havia uma coleção deles... as vezes pego um e fico explorando através do olhar, percebendo sinais das linhas, cores e gestos que criaram uma marca. Aquarelas, colagens e linhas indefinidas fazem parte desses registros.
Amo meus cadernos e acho que são eles quem mais me revelam pois na intimidade de minha criação, sem pretenções de criar uma obra são eles que a conservam em sua forma original e pura. Os erros (?), as tentativas, os acertos (?), está tudo contido lá. Sem reparos, sem mascaras, apenas existindo de maneira original na explosão de cada momento.
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