segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009


A arte terapia entrou em minha vida como consequência de meu trabalho como artista plástica.Eu sempre tive uma sensibilidade acima da média,o que me facilitou algumas coisas mas dificultou em outras pois, na maioria das vezes as pessoas não sabem o que fazer com alguém extremamente sensível... assim , me tornei ,ou nasci artista para expressar a minha impressão do mundo, aquilo que não compreendia, não traduzia com palavras, podia expressar o invisível sem dar nenhuma explicação, apenas sentindo e traduzindo em gestos, cores, colagens!

Comecei a me conhecer através daquilo que produzia. Antes da pintura era através da música, do piano e violão que eu me expressava mas a pintura... vinha de minha alma! Toda a minha organização, desorganização, sentimentos, ressentimentos , política, teologia,sociologia, tudo está contido lá mesmo que , as vezes de forma inconsciente.

Assim, foi inevitável que em meu ateliê, ao receber alguns alunos para aulas de artes os questionamentos da vida viessem à tona. Me formei em arte terapia em 1996 e até hoje desenvolvo esse trabalho.

Ao olhar os meus trabalhos eles narram a minha história, o momento o qual eu estava passando quando os produzi então, torno visível o meu mundo interior e elaboro a cada nova produção parte de mim que estava oculta. Vou me tornando mais inteira, visível (para mim mesma).

A arte junto com a meditação são partedo caminho que escolhi para ser um indivíduo melhor e por isso compartilho dessas linguagens com todos os que tem interesse em auto-conhecimento.
Curiosidades: comecei a conhecer a arte terapia em 1992. Em 1991 eu dava aulas de arte educação numa escola particular e tradicional de S.P. e depois de 7 anos eu comecei a questionar a instituição escola, ter uma insatisfação com a "forma" hora-aula, a não funcionalidade da escola... pedi demissão em 1991 e comecei a escrever um projeto de arte para cegos. Eu tinha 25 anos e a base do projeto era a famosa frase "o essencial é invisível aos olhos".
Então passei a produzir os meus trabalhos explorando sensações, texturas, olfato, audição e transformando as minhas sensações em pinturas e colagens.
Fiz oficinas de arte na pró- d.v. uma instituição que não existe mais e a partir daí comecei a criar oficinas de arte a partir desses estímulos sensoriais. Em 1993 fui fazer o curso de especialação em arte terapia.
De 1994 a 1997 trabalhei com pacientes portadores de toc (transtorno obssessivo compulsivo) e esquizofrenia e a arte ajudava muito esses pacientes a terem um novo olhar sobre si; a doença que antes era "figura" tornava-se "fundo" e as dosagens dos medicamentos iam diminuindo, a vida tomava outro rumo (mais saudável). Ah, esses pacientes tinham também acompanhamento psiquiátrico e eram os psiquiatras que decidiam a dosagem exata do medicamento, trabalho esse em parceria que deu muito certo.
A partir de 1997 decidi trabalhar apenas em meu ateliê, onde permaneço até hoje.
Esse trabalho expandiu-se para escolas (formação para educadores), empresas e clientes particulares.

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