sábado, 28 de janeiro de 2012

Reflexões sobre o Tempo



Reflexões sobre o tempo, o olhar e arte... se ja disseram tudo ou, quase tudo, tenho mais a dizer? Então repasso o ja dito e compartilhando coisas que me identifico.


"Buscar histórias de cor, de matérias e materiais constituídos por resíduos e passagens do tempo [...] o lodo da parede, o desgaste do concreto, a corrosão do ferro [...] A essência das formas, a essência do tempo, a essência das aparências ou aparessência.”    Alexandre P. FRANÇA, Relatos do tempo, 1996




"Muitos [...] não tem relógios. No lugar deles ouvem a batida dos seus corações. Eles sentem os ritmos de seus humores e desejos. Essas pessoas comem quando sentem fome, vão para o trabalho, na chapelaria ou no laboratório, na hora em que despertam do seu sono e fazem amor a qualquer hora do dia.   Lightman, 1993
"Afirma-se que o tempo é irreversível [...] “o passado não volta jamais”. Mas o que será, exatamente, esse “passado”? Aquilo que já passou? E o que essa coisa“ passada” significa para uma pessoa quando, para cada um de nós, o passado é o portador de tudo que é constante na realidade do presente, de cada momento do presente? Em certo sentido, o passado é muito mais real, ou, de qualquer forma, mais estável, mais resistente que o presente, o qual desliza e se esvai como areia entre os dedos adquirindo peso material somente através da recordação."  Tarkovskiaei




"Ele nasce de minha relação com as coisas. Nas próprias coisas, o porvir e o passado estão em uma espécie de preexistência e de sobrevivência eternas; a água que passará amanhã está neste momento em sua nascente, a água que acaba de passar está agora um pouco mais embaixo, no vale. Aquilo que para mim é passado ou futuro está presente no mundo."  Merleau-Ponty


"Ele passa a ser um artista no momento em que, em sua mente, ou mesmo no filme, seu sistema particular de imagens começa a adquirir forma — a sua estrutura pessoal de idéias sobre o mundo exterior — e o público é convidado a julgá-lo, a compartilhar com o diretor os seus sonhos mais secretos e preciosos." Tarkoviskiaei

Oração Ao Tempo

Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Arthur Bispo do Rosário

Mas quem era esse artista? Arthur Bispo do Rosário, um artista atento ao seu mundo, com olhar ao redor e entorno de si, sua obra tornou-se um ícone para a Arte Contemporânea.
“Arthur Bispo do Rosário, negro, sem documentos, presumíveis 27 anos, ganhava um registro no Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro, na véspera de Natal” (Hidalgo, pag.17) em 1938. Apresentou-se sozinho no manicômio após ter uma visão de anjos que vieram reconhece-lo como representante de Cristo. Após o Natal foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá onde viveu e produziu por quase 50 anos. Naquela época os hospitais psiquiátricos funcionavam como presídio que mantinham os doentes internos em celas com grades sem a menor condição humana de sobrevivência. Bispo havia trabalhado na marinha como sinaleiro e praticou pugilismo na época o que o deu o título de xerife no manicômio pois quando chegavam doentes agressivos, Bispo era chamado pelos enfermeiros ou pela polícia para nocautear o paciente afim de poderem medicá-lo controlando a agressividade do mesmo. Isso trouxe a Bispo um lugar de destaque no hospital.
De meses em meses, pedia ao guarda do Núcleo Ulisses Viana que o prendesse porque ele estava se transformando. O guarda perguntava em que? Ele respondia “em rei. Eu sou o rei dos reis”. Nessas horas exigia ser trancado numa cela onde fazia jejum , assombrado por sua obsessão, um maestro empenhado em dirigir a reconstrução do mundo. Nessa fase de transformação e isolamento que a arte brotava de suas mãos, e sua arte nascia de seus sacrifícios. Na falta de material Bispo desfiava o próprio uniforme azul da Colônia Julianos Moreira para, com os fios, “tecer a teia que abrigaria os lotes do novo mundo. Assim começou a cerzir o Manto da Apresentação, espécie de mortalha sagrada que bordaria durante toda a vida para vestir no dia da apresentação, no Juízo Final, na data da Passagem”. (pag.26). Neste manto haviam vários nomes bordados de pessoas que ele julgava merecedoras de subirem rumo o além.
“Bispo utilizou a mesma técnica de bordados depois chamadas de estandartes: lençóis e cobertores da Colônia bordados à mão com as linhas dos uniformes. Ele bordava nomes de países, funcionários, mulheres eleitas” (pag. 27). Aproveitava também o espaço como desabafo para suas idéias.
Era um dos privilegiados que tinha autorização dos médicos para circular livremente dentro da Colônia por ter boa conduta e “caçava” objetos largados para utilizar em suas obras.
Jacarepaguá deveria sediar o ninho dos excluídos socialmente, aí incluindo homens tomados de estranhos delírios. As pessoas que ali viviam estavam sujeitas a todo tipo de preconceito. A teoria das colônias era o que havia de mais ousado na psiquiatria europeia. Acreditavam que a doença mental era hereditária para segregar e esterilizar os pacientes, especialmente os não brancos, dotados de sabe-se lá que diabólicas tendências psíquicas, supostamente lesivas a uma idealizada raça branca. Nesse período, 1939, a Segunda Guerra Mundial explodia do outro lado do mundo, Hitler filtrava a raça ariana em ritos bárbaros, e Bispo era um sergipano, pobre, negro de ascendência escrava, extraditado para a colônia Juliano Moreira.
Bispo evitava falar sobre seu passado e mesmo os documentos encontrados na marinha e na light tem controvérsias porém o registro de batismo confirma o nascimento em 1909 (batizado em outubro, aos 3 meses de idade). Do pai herdou o sobrenome Bispo e sua mãe tinha o sobrenome Jesus, nome que em seus delírios usava como sendo o próprio Jesus Cristo.
"Filho de Deus, adotado por Virgem Maria e escoltado por seres angelicais, Arthur Bispo do rosário tinha raízes fincada na terra de Japaratuba, no interior de Sergipe, e carregaria a cultura local, incubada, pela estrada de desvios. Os signos desse passado trancado a sete chaves não ficariam de fora na reconstrução do novo mundo”. (pag. 35)
Bispo viveu trancafiado em um quarto-forte transformado em templo e dono de uma verdade mística muito particular, ele faria da vida um retiro, construindo um universo com as próprias mãos que mais tarde ganharia ares de autobiografia. Os delírios diagnosticados pela psiquiatria ao longo do tempo esbarrariam em ícones religiosos.
Sua cidade foi local de conquistas indígenas e pregações missionárias e o nome Japaratuba significa rio de muitas voltas. Os moradores de Japaratuba seguiam rigorosamente as tradições da igreja católica, a tradição cristã era passada de pai para filho. Arthur Bispo do Rosário cresceu assistindo rituais, rosários, mandamentos, pecados, culpas e confessionários. Anos mais tarde, ele se diria filho da Virgem Maria, vivia fazendo jejuns para virar santo, confeccionaria um novo mundo para apresentar ao Todo-Poderoso.
Na quaresma, Japaratuba preparava-se para dias de jejum, comidas, bebidas e danças, era um local que cultuava tradições e alegorias. Bispo criança viveu tempos de procissões, quadrilhas e desfiles e as festas eram precedidas de semanas de preparativos onde bordadeiras e costureiras preparavam as roupas para os folguedos. Os bordados eram perfeitas traduções da cultura de Japaratuba.
Em sua memória parece que Bispo carregou dessa vila onde nasceu a diversidade de bordados, fardões e tecidos das datas festivas. Um dia, designado “rei dos reis” por seres luminosos, ele teceu o próprio Manto da Apresentação, vermelho cheio de bordados, que o levaria ao dia do Juízo Final

PAUL KLEE- Silêncio do Anjo

Para os admiradores desse artista, o documentário sobre Paul Klee, fala de sua vida, sua obra e carreira, exibido pela TV Cultura passa as seguintes informações:

Paul Klee- silêncio do anjo

.A arte não reproduz o visível, ela torna visível
.1900 a Alemanha está em seu apogeu cultural
.Profissão ideal a arte, a filosofia e a política. Profissão real, artista plástico
.Em Munique Klee se relaciona com o grupo “Cavalheiro Azul”
.Escreve um diário sobre música, pintura, reflexões (Diários, Paul Klee- esgotado mas pode-se encontrar em sebos)
.Cria um teatro de marionetes para entreter Felix, seu filho, com mais de 50 personagens- um deles é o pp Klee
.A pintura é questão de sobreposição, ritmo e harmonia
.A contemplação é uma revelação
.Ele observa a natureza não para reproduzi-la, mas para captar a sua essência
.Para ele uma obra pode nascer, crescer e se organizar como uma planta
.“É num ponto muito importante, na origem das coisas que eu me situo”
.A partir das aquarelas tunisianas Klee utilizou as aquarelas quadriculadas,
.Influenciado por Delaunay que se afastou do cubismo para explorar as cores puras cores
.Fundo preto: para ele não há estrutura, nada além da cor
.Como equilibrar duas cores em oposição?
.“Eu gostaria de organizar o movimento”
.1902 viagem a Italia, ficou impressionado com os mosaicos
.1932 está no auge da busca luz e harmonia
.1933- 245 desenhos neste ano, rabiscos do homem sofrido se expressando em silencio
.17 março 1933 seu ateliê é invadido pelos nazistas
.Morre em junho de 1940 deixando mais de 9000 obras as últimas inacabadas.