terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Hoje na aula do mestrado em artes visuais, falavamos a respeito da desmaterialização da obra de arte etc, lembrei da música do Zeca Baleiro, Bienal, e segue a letra que traduz o que muitas pessoas pensam a respeito da arte contemporânea. Divirta-se!

Bienal



Zeca Baleiro


Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio


Faço um quadro com moléculas de hidrogênio


Fios de pentelho de um velho armênio


Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta


Meu conceito parece, à primeira vista,


Um barrococó figurativo neo-expressionista


Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista


calcado da revalorização da natureza morta



Minha mãe certa vez disse-me um dia,


Vendo minha obra exposta na galeria,


"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia


E muito mais feio que um hipopótamo insone"



Pra entender um trabalho tão moderno


É preciso ler o segundo caderno,


Calcular o produto bruto interno,


Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,


Rodopiando na fúria do ciclone,


Reinvento o céu e o inferno


Minha mãe não entendeu o subtexto


Da arte desmaterializada no presente contexto


Reciclando o lixo lá do cesto


Chego a um resultado estético bacana




Com a graça de Deus e Basquiat


Nova York, me espere que eu vou já


Picharei com dendê de vatapá


Uma psicodélica baiana



Misturarei anáguas de viúva


Com tampinhas de pepsi e fanta uva


Um penico com água da última chuva,


Ampolas de injeção de penicilina


Desmaterializando a matéria


Com a arte pulsando na artéria


Boto fogo no gelo da Sibéria


Faço até cair neve em Teresina


Com o clarão do raio da silibrina


Desintegro o poder da bactéria


Com o clarão do raio da silibrina


Desintegro o poder da bactéria

Um comentário:

Marcantonio disse...

Hehehe! Muito bom isso!

Abraço.