sábado, 23 de abril de 2011

Visita a Leonilson

Hoje visitei a exposição de Leonilson e a sensação que tive foi de inquietude. Sempre que visito uma exposição de arte tenho mais a certeza de que a obra de cada artista é a sua Autobiografia. Sim, está tudo lá e se pudermos entrar através de nossa percepção naquilo que estamos olhando o corpo fala o que a obra conta. Então é uma questão da autobiografia do artista e de nossa autobiografia que, por ressonância nos transportas a lugares ocultos, intraduzíveis de nós mesmos. Intraduzíveis? De novo Benjamin... será que virou obsessão?

Em sua teoria sobre a linguagem , na Tarefa do Tradutor, ele diz que há algo no original que deve se manter na tradução então, transpondo isso para as artes visuais nos tornamos todos tradutores daquilo que olhamos. Mas não é qualquer olhar, é o verdadeiro olhar; aquele que apreende o que observa. É um desvendar, revelar.

Foi assim que saí da exposição pensando em meus trabalhos, sobretudo em minha produção dos últimos 10 anos onde a sobreposição , a superposição tomou conta de qualquer superfície onde eu trabalhava (e trabalho) e pude "traduzir" a minha obra por "Intraduzibildade: o que a por trás do que eu vejo?".

Sim, porque por mais que possamos apreender parte do que é dito, ou escrito ou pintado, colado, nunca se pode saber ao certo o que há por trás do perceptível. Mas, se penso no "Ùnico Traço do Pincel" (Monge Abóbora- Amarga) também sei que pode haver um lugar puro da percepção que, se estiver atento e relaxado ao mesmo tempo, sem esforço tudo se revela. Está tudo lá. Sempre. Mas nem sempre podemos perceber o que já está lá...

Um comentário:

Carol Braga disse...

Vc é sempre maravilhosa! Será que eu sou artista? Será que minha humilde obra conta a minha história? Ter vc na minha vida é incrível! Uma aprendizagem constante, diária, necessária!!!
Carol Braga